O coldre da pistola sem mira

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Evandro Oliveira
Evandro Oliveira
PÓS GRADUADO EM GESTÃO E DIREÇÃO ESCOLAR; ESPECIALISTA EM "POLÍTICAS DA IGUALDADE RACIAL NA ESCOLA", SABERES AFRICANOS E AFRO-BRASILEIROS NA AMAZÕNIA - PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ (UFPA); GRADUADO CIÊNCIAS SOCIAIS COM ÊNFASE EM SOCIOLOGIA - UFPA; ATUA COMO PROFESSOR DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA NA REDE PÚBLICA E COMO PROFESSOR NO ENSINO SUPERIOR E CURSOS PRÉ-VESTIBULARES.
Grande preocupação de Bolsonaro é ser preso após deixar o cargo

Não se preocupe com a ameaça do presidente Bolsonaro sobre sua vida como cidadão comum, se perder a reeleição. Disse que nunca será preso; e que, se a Polícia bater à porta de sua casa, atirará para matar. Nada disso. A têmpera do Bolsonaro armado já foi testada quando, pilotando sua moto de boa marca e modelo, foi assaltado por outro motoqueiro. Estava armado com uma pistola Glock, de excelente reputação. Sua preparação, feita no Exército, certamente era melhor que a do ladrão. Bolsonaro entregou a pistola e a moto ao assaltante, numa boa; não se sabe se deu também o coldre onde guardava a pistola de grosso calibre. Por que, diante de um policial, certamente munido de ordem judicial, iria tomar soro de galo e se imaginar um John Wayne?

Mas um fato aí é real: a grande preocupação de Sua Excelência é ser preso após deixar o cargo – justo ele, o 000, acompanhado dos 01, 02 e 03. Muitos de seus atos são passíveis de contestação na Justiça e não faltam adversários a querer processá-lo. Bolsonaro tem também conhecimento de alguns fatos: sabe que parte dos aliados que hoje o abraçam continuarão a abraçá-lo, mas com o objetivo de imobilizá-lo para facilitar a colocação de algemas.

Se tiver garantias de imunidade, deve ficar contente (e políticos de sua confiança conversam com adversários sobre isso). O problema é fazer com que ele possa confiar nas imunidades. Não há no mundo político tanta gente em cuja palavra seja possível acreditar e que tenha força para mantê-la.

Como era…

No Brasil sempre foi assim: o ditador Getúlio Vargas foi deposto por seu ministro da Guerra, marechal Dutra, foi em paz para São Borja e voltou cinco anos depois, eleito presidente (Dutra se aposentou, ponto final). Juscelino perdoou os responsáveis pela tentativa de impedir sua posse e, mais tarde, por duas vezes tentaram derrubá-lo. A democracia voltou com a anistia até mesmo para os torturadores a serviço do regime militar. Mas a época mudou.

…como é

A Comissão da Verdade criada por Dilma mudou esses hábitos. Foi uma comissão de esclarecimento. Mas houve movimento para que, com base em suas conclusões, certos crimes fossem julgados. Nem nos EUA o perdão presidencial, que permitiu a Nixon evitar punições, manteve-se forte. Trump está sob ataque. Ninguém duvida de que os cem anos de sigilo impostos por Bolsonaro aos esgotos de seu regime sejam revogados assim que ele sair.

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