Macron, Le Pen, ou nenhum dos dois? Franceses e o dilema das urnas

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Evandro Oliveira
Evandro Oliveira
PÓS GRADUADO EM GESTÃO E DIREÇÃO ESCOLAR; ESPECIALISTA EM "POLÍTICAS DA IGUALDADE RACIAL NA ESCOLA", SABERES AFRICANOS E AFRO-BRASILEIROS NA AMAZÕNIA - PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ (UFPA); GRADUADO CIÊNCIAS SOCIAIS COM ÊNFASE EM SOCIOLOGIA - UFPA; ATUA COMO PROFESSOR DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA NA REDE PÚBLICA E COMO PROFESSOR NO ENSINO SUPERIOR E CURSOS PRÉ-VESTIBULARES.
Assim como em 2017, Macron e Le Pen, com 27,85% e 23,15% dos votos no primeiro turno, respectivamente, disputam a Presidência no segundo turno deste domingo (24)

A França entrou, neste sábado (23), em seu dia de reflexão antes de decidir se reelege o centrista Emmanuel Macron, ou se irá trocá-lo por sua adversária de extrema direita Marine Le Pen, uma eleição crucial acompanhada de perto pelo mundo.

Hoje, é proibido divulgar pesquisas de intenção de voto e fazer campanha.

Assim como em 2017, Macron e Le Pen, com 27,85% e 23,15% dos votos no primeiro turno, respectivamente, disputam a Presidência no segundo turno deste domingo (24), depois de deixarem outros dez candidatos para trás – entre eles, o esquerdista Jean-Luc Mélenchon (quase 22%).

De acordo com as últimas pesquisas divulgadas na sexta-feira, o candidato do partido A República em Marcha (LREM, na sigla em inglês), de 44 anos, derrotaria sua rival do Reagrupamento Nacional (RN), de 53, com uma vantagem menor do que em 2017, quando foi proclamado presidente com 66,1% dos votos.

Cinco anos depois, a França não é o mesmo país. Protestos sociais marcaram a primeira metade do governo Macron, uma pandemia global confinou milhões de pessoas em suas casas, e a ofensiva russa na Ucrânia abalou, fortemente, o continente europeu.

A guerra em curso nos confins orientais da Europa sobrevoou a campanha, embora “o poder de compra tenha sido a preocupação número um”, disse Mathieu Gallard, do Ipsos France, à rádio France Bleu, para quem há “uma forte desilusão” da população, o que se reflete na corrida eleitoral.

Sinal do desencanto com o primeiro turno, estudantes ocuparam temporariamente, dias depois, a simbólica Universidade de Sorbonne.

Muitos jovens, assim como parte dos eleitores de Mélenchon, denunciam o balanço social e ambiental dos cinco anos de Macron, mas também temem que a extrema direita chegue ao poder.

“O voto em Macron não se baseia em uma melhora da situação dos franceses, mas em uma capacidade de administrar crises, de enfrentar crises em um mundo que os franceses sabem estar cada vez mais instável”, analisou Gallard.

“Terceiro turno”

Macron usou o argumento de ter sido um presidente estável em tempos de crise e reformista. Le Pen optou por se apresentar como defensora do poder aquisitivo dos franceses, em um contexto de preocupação com a disparada dos preços da energia e dos alimentos.

Quase 49 milhões de franceses têm nas mãos a escolha de qual França querem até 2027, uma decisão que pode implicar uma mudança nas alianças internacionais desta potência nuclear e econômica, caso a herdeira da Frente Nacional seja eleita.

Le Pen propõe inscrever na Constituição a “prioridade nacional” para excluir os estrangeiros dos benefícios sociais concedidos pelo governo e defende abandonar o comando integrado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e reduzir as competências da União Europeia (UE).

Já o presidente em final de mandato é a favor de “mais Europa”, tanto em matéria econômica e social, quanto de defesa, e pretende recuperar seu impulso reformista e liberal, com sua proposta de adiar a idade de aposentadoria de 62 para 65 anos.

As seções eleitorais abrem às 8h locais (3h em Brasília) deste domingo (24). Em virtude da diferença de fuso, os territórios ultramarinos e os franceses no continente americano já começaram a votar. Os últimos postos fecham às 20h na França (15h em Brasília). A partir daí, os resultados jã são esperados.

A depender do ganhador, Le Pen pode se tornar a primeira mulher presidente da França, e Macron, o primeiro a ser reeleito desde o conservador Jacques Chirac (1995-2007).

“Independentemente do vencedor, o país será mais difícil de governar nos próximos cinco anos”, disse a cientista política Chloé Morin à AFP.

Depois deste segundo turno, a França entra na campanha para as eleições legislativas de 12 e 19 de junho, as quais decidirão com qual maioria o futuro chefe de Estado governará.

Trata-se de um “terceiro turno”, para Gaspard Estrada, especialista em campanhas da Sciences Po.

De acordo com uma pesquisa divulgada ontem pela consultoria BVA, 66% dos franceses querem que Macron perca sua maioria parlamentar. A última “coabitação” remonta ao período de 1997 a 2002, quando Chirac nomeou o socialista Lionel Jospin como primeiro-ministro.

Jean-Luc Mélenchon já pediu aos franceses que o elejam “primeiro-ministro” nas eleições legislativas. Seu partido, os comunistas e os ambientalistas negociam uma frente comum para as disputas legislativas.

Voz do Pará com informações da AFP

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