Minério de ferro foi o principal produto industrial do Brasil em 2020, diz IBGE

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O setor cresceu 8,4% na Região Norte 

Apesar da desindustrialização, o setor ainda resiste.  Dez principais produtos e/ou serviços industriais foram responsáveis por 20,9% da receita líquida de vendas (RLV) na indústria (R$ 3,1 trilhões), ante 21,6% em 2019. Mas esses produtos sofreram alterações no ranking.

O minério de ferro assumiu a liderança com alta de 1,5 ponto percentual e participação de 4,8% na RLV, trocando de lugar com os óleos brutos de petróleo, cuja participação caiu de 3,8% para 3,1%. Carnes de bovinos, que ocupavam a 5ª posição, subiu para 3ª em 2020.

As cinco principais atividades concentraram a 54,0% da receita líquida de vendas do setor industrial em 2020, ante 54,2% em 2019. Destaque para o ganho de participação da indústria alimentícia, de 16,6% para 19,3%, e a perda de 2,1 p.p. da indústria automotiva, com 8,1% da RLV e queda da 3ª para 4ª posição.

Entre os cinco itens que mais perderam posições, os quatro primeiros remetem a atividades afetadas pela pandemia: Querosene de aviação (58 posições), serviço de manutenção e reparo de aeronaves (23); caminhões com capacidade acima de 5t (21); e aviões (20).

A Preparação e misturas de minerais, vitaminas, contendo ou não medicamentos em alimentação para animais, exceto ração, foi a atividade que mais ganhou posições (34).

A Região Sudeste ainda concentra 53,3% da RLV, mas perdeu 6,8 p.p. de participação entre 2011 e 2020. Todas as demais regiões ganharam participação: Sul (20,8%, + 1,4 p.p.); Nordeste (10,1%, + 1,0 p.p.); Norte (8,4%, +1,9 p.p); e Centro Oeste (7,3%, 2,4 p.p.).

As informações são da Pesquisa Industrial Anual (PIA) Produto 2020, que investigou cerca de 3.400 produtos industriais de 29 setores. Entre as maiores participações na receita de vendas em 2020, o líder foi minério de ferro: 4,8%, 1,5 p.p. acima de 2019, reflexo da alta dos preços internacionais. O produto ultrapassou óleos brutos de petróleo, que liderava desde 2018 e teve participação de 3,1%, ou 0,7 p.p. abaixo de 2019.

Em terceiro, carnes de bovinos frescas ou refrigeradas galgou duas posições, passando de 2,1% para 2,4% de participação. A seguir vêm óleo diesel, que caiu da terceira para a quarta posição; e álcool etílico (etanol) não desnaturado, com teor alcóolico igual ou maior a 80, para fins carburantes, destinado a ser adicionado à gasolina, que ganhou uma posição apesar de a participação ter reduzido de 1,8% para 1,6%.

Synthia Santana, gerente de Análise Estrutural, destaca que a pandemia provocou a desestruturação de diversas cadeias produtivas, enquanto os indicadores macroeconômicos brasileiros indicaram redução no consumo das famílias, na taxa de investimento e no crédito. Os resultados da PIA Produto refletem os impactos dessa conjuntura de grave crise econômica e sanitária com consequências na demanda e na oferta do setor industrial.

“Enquanto alguns setores tiveram paralisação de fábrica e concessão de férias, outros experimentaram um ambiente diferente, especialmente aqueles relacionados a commodities que são ancorados em preços internacionais. Um exemplo é minério de ferro e grãos, que foram beneficiados durante a pandemia devido à alta dos preços internacionais”, analisa a gerente.

Dez produtos concentram 20,9% da receita líquida de vendas em 2020

Somados, os dez maiores produtos concentraram 20,9% do valor das vendas em 2020, participação inferior à assinalada em 2019 (21,6%). Frente a 2019, todos os produtos sofreram mudanças de posições, com destaque para minério de ferro, que passou do 2º para o 1º lugar.

Entre os 100 principais produtos, os que mais ganharam posições frente a 2019 foram Preparações e misturas de minerais, vitaminas, contendo ou não medicamentos para alimentação animal exceto rações (34 posições, de 101ª para 67ª); Automóveis com motor entre 1500 e 2500 cilindradas (32 posições, da 129ª para 97ª); Óleo de soja em bruto (26 posições da 60ª para 34ª); Computadores pessoais portáteis (25 posições, da 53ª para 28ª); e Ouro, em formas brutas, semimanufaturadas ou em pó (22 posições, da 47ª para 25ª).

Os que mais perderam foram Querosenes de aviação (58 posições, da 28ª para 86ª colocação); Serviço de manutenção e reparação de aeronaves, turbinas e motores de aviação, inclusive o serviço de pintura de aeronaves (23 posições, da 67ª para 90ª); Caminhões, com motor diesel, de capacidade máxima de carga superior a 5 t (21 posições, da 27ª para 48ª); Aviões de peso superior a 15.000 kg (20 posições da 33ª para 53ª) e Folhas de fumo (19 posições, da 77ª para 96ª).

“Produtos eletrônicos, que foram muito demandados durante a pandemia, ganharam 25 posições. Já entre as que mais perderam, das cinco, destacamos querosene de avião, que perdeu 58 posições, serviços de manutenção de aeronaves (23), caminhões (21) e aviões (20). Os principais são relacionados ao setor de transporte, que foi bastante afetado durante a pandemia”, diz Synthia.

Cinco atividades concentram 54% das receitas da indústria em 2020

Em 2020, a pesquisa investigou 29 setores. As cinco maiores participações na receita líquida de venda foram: indústria alimentícia (19,3%); fabricação de produtos químicos (10,8%); fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (8,8%); indústria automotiva em quarto (8,1%); e metalurgia (7,0%). A soma destas cinco atividades industriais concentrou 54,0% do valor da receita líquida de vendas de produtos e serviços industriais em 2020, ante 54,2% em 2019.

Entre 2019 e 2020, destaca-se o aumento de participação da indústria alimentícia, que passou subiu 2,7 p.p, de 16,6% para 19,3% da RLV. Em contrapartida, a indústria automotiva perdeu 2,1 p.p. de participação, alcançando 8,1% da RLV em 2020 e caindo da 3ª para a 4ª posição.

Estendendo o ranking para as dez principais atividades da indústria, destacam-se a extração de minerais metálicos; a fabricação de máquinas e equipamentos; e a fabricação de produtos de borracha e de material plásticos, que subiram, cada uma, uma posição no ranking em relação a 2019. Já a extração de petróleo e gás natural perdeu 1,0 p.p., caindo da 6ª para 9ª posição.

Diversificação no Sudeste e no Sul e alta concentração no Norte e no Centro-Oeste

Entre as grandes regiões, o Sudeste foi a única a perder representatividade na composição da receita líquida de vendas em dez anos, caindo de 60,1% para 53,3%. Em contrapartida, as regiões Centro Oeste e Norte foram as que mais ganharam em participação, com incremento de 2,4 p.p. e 1,9 p.p., respectivamente.

A Região Sul foi a que mais apresentou mudanças na relação dos três principais produtos: o óleo diesel perdeu a primeira posição frente a 2011 e dois novos produtos passaram a compor o ranking: carnes e miudezas de aves congeladas, em 1º; e tortas, bagaços, farelos da extração de soja, em 3º.

A Região Sudeste, embora tenha permanecido com os três principais produtos – óleos brutos de petróleo 5,8%), minério de ferro (4,3%) e óleo diesel (2,1%) – mudou o ranking com óleos brutos de petróleo assumindo a liderança antes ocupada por minério de ferro.

A Região Centro-Oeste manteve os mesmos três principais produtos – carnes de bovinos frescas ou refrigeradas (12,9%); tortas, bagaços, farelos de extração de óleo de soja (9,9%); álcool etílico (etanol) não desnaturado, para fins carburantes (5,8%) – e o mesmo ranking.

Na Região Norte, minério de ferro ainda mantém a 1ª posição com 28,9%; seguido por um novo produto, carnes de bovinos frescas ou refrigeradas (5,0%); e televisores (4,8%), que perdeu uma posição.

No Nordeste, óleo diesel manteve a liderança com 4,3%, seguido por óleos combustíveis (3,7%) que ganhou posições; e por pastas químicas de madeira (2,8%), que entrou como novo produto no ranking da região.

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