Milhares de manifestantes vão às ruas do país em protesto contra Bolsonaro

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Evandro Oliveira
Evandro Oliveira
PÓS GRADUADO EM GESTÃO E DIREÇÃO ESCOLAR; ESPECIALISTA EM "POLÍTICAS DA IGUALDADE RACIAL NA ESCOLA", SABERES AFRICANOS E AFRO-BRASILEIROS NA AMAZÕNIA - PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ (UFPA); GRADUADO CIÊNCIAS SOCIAIS COM ÊNFASE EM SOCIOLOGIA - UFPA; ATUA COMO PROFESSOR DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA NA REDE PÚBLICA E COMO PROFESSOR NO ENSINO SUPERIOR E CURSOS PRÉ-VESTIBULARES.
Entre as bandeiras das manifestações estão o pedido de impeachment de Bolsonaro, extensão do auxílio emergencial de R$ 600 e vacinação em massa contra a Covid-19

No dia em que o Brasil atingiu a marca de 500 mil mortos pela Covid-19, manifestantes fizeram protesto contra o governo de Jair Bolsonaro neste sábado (19) em capitais e centenas de cidades pelo país. Os atos dão continuidade ao movimento que levou milhares às ruas no último dia 29, e iniciou uma nova fase de mobilização de movimentos sociais, centrais sindicais e partidos de oposição. Com pró-bolsonaristas saindo a público para demonstrar apoio ao chefe do Executivo, organizações contrárias a Bolsonaro optaram por retomar a cartilha de protestos de ruas, mesmo com a pandemia do novo coronavírus.

Entre as bandeiras das manifestações estavam o pedido de impeachment de Bolsonaro, extensão do auxílio emergencial de R$ 600, vacinação em massa contra a Covid-19 e críticas à política ambiental da administração atual.

A aposta, embora pregue o “protesto seguro”, divide a oposição ao presidente da República. Nem todos os movimentos contra Bolsonaro embarcaram na ideia, que pode gerar grandes aglomerações pelo país, na direção oposta do que orienta a ciência no enfrentamento ao novo coronavírus.

A deputada federal Vivi Reis (PSOL-PA) chegou a pedir, no Twitter, respeito aos protocolos sanitários contra a Covid-19 durante a manifestação. “E não esqueçam da máscara, álcool em gel e de respeitar o distanciamento social”, disse.

Assim como no último dia 29, protestos contra o presidente também estavam programados para ocorrer no exterior. Em Berlim, na Alemanha, dezenas de manifestantes se reuniram. Segundo informou a agência de notícias Deutsche Welle em sua conta brasileira no Twitter, eles pediram mais vacinas e o impeachment de Bolsonaro, além de denunciarem a violência contra os povos indígenas.

Durante o ato em Berlim, cruzes no chão lembraram os quase 500 mil mortos pela Covid-19 no Brasil. As vítimas do massacre do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, também foram lembradas.

Belo Horizonte

Em Belo Horizonte, os manifestantes se reuniram na Praça da Liberdade. O protesto foi organizado pelas redes sociais e mais uma vez juntou diferentes movimentos populares, lideranças sociais, estudantes, professores, partidos políticos e centrais sindicais para pedir o impeachment de Bolsonaro. Munidos de máscara N95 ou PFF2, as mais seguras e indicadas, os manifestantes entoaram em coro ‘Fora Bolsonaro’ e ‘Bolsonaro genocida’. Entre as exigências, estava a vacina contra a Covid-19 para todos.

São Paulo

Os paulistanos protestaram de forma pacífica contra o presidente Jair Bolsonaro e em revolta à marca fúnebre de meio milhão de mortos por Covid-19.  Por volta das 15h, eles fechavam a Avenida Paulista, no sentido Consolação. O vão livre do Museu de Artes de São Paulo (MASP) foi protegido por grades, o que provocou pequenas aglomerações ao redor do carro de som estacionado em frente ao MASP.

A maior parte dos manifestantes usava máscara e tentava atender às recomendações para manter o distanciamento. Uma barraca foi montada na Avenida Paulista para doação de máscaras e distribuição de cartilhas informativas com recomendações para mitigar o risco de transmissão do coronavírus.

Salvador

Em Salvador, os manifestantes voltaram a chamar o presidente de genocida e cobraram “vacina, comida e emprego”. Centrais sindicais e movimentos estudantis formaram a linha de frente do grupo, que deu a volta nas imediações do Largo do Campo Grande, passou pelo Forte de São Pedro – depósito de suprimentos do Exército – e retornou ao largo. A manifestação na capital baiana foi acompanhada pela PM e ocorreu de forma pacífica.

No último dia 29 de maio, dezenas de milhares de pessoas protestaram contra o presidente em mais de 200 cidades. Apesar de maior atenção às recomendações de segurança, como o uso de máscaras durante todo o percurso, foram registradas aglomerações. Os protestos ocorreram de maneira pacífica, exceto no Recife, onde a repressão policial resultou em duas pessoas cegas parcialmente e outros feridos. O presidente Bolsonaro, na ocasião, minimizou tais atos, chegando a afirmar que faltou “erva e dinheiro” para os presentes. No sábado passado, Bolsonaro participou em São Paulo de uma motociata em defesa de seu governo.

Rio de Janeiro

Manifestantes começaram a se reunir no Rio de Janeiro por volta das 10h no Monumento Zumbi dos Palmares, na Avenida Presidente Vargas, principal via da região central do Rio.

A pista central da Avenida Presidente Vargas foi parcialmente interditada para a caminhada dos manifestantes em direção à igreja da Candelária, marcha com início previsto para 11h15. O ato integra uma série de manifestações convocadas pelo país contra o governo Bolsonaro.

Os manifestantes carregavam bandeiras e cartazes pedindo o impeachment de Bolsonaro. Uma faixa culpava o presidente pelas 500 mil mortes da pandemia no Brasil, triste marca que foi atingida ainda hoje. Outros manifestantes exibiram cartazes demandando a vacinação em massa da população, além de reivindicarem mais educação e saúde. Havia bandeiras de partidos como PT, PCdoB, PSTU, Psol.

Brasília

Com fortes críticas à condução do combate à pandemia e cobrança por mais vacinas, manifestantes ocuparam nesta manhã de sábado o gramado central da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para protestar contra o governo de Jair Bolsonaro. Com o Congresso isolado pelo policiamento, os manifestantes organizaram uma caminhada pela Esplanada até se posicionarem diante de um carro de som, estacionado no local mais próximo possível do Parlamento que funciona como uma espécie de palanque improvisado para os discursos.

Com muitas faixas pedindo a saída do presidente e cobrando reforço nos auxílios sociais, a manifestação teve forte presença de militantes de partidos de oposição, especialmente PT e Psol. “Derrotar Bolsonaro não é uma tarefa para amanhã, derrotar Bolsonaro é uma tarefa para hoje”, disse o deputado distrital Fábio Félix, do PSol.

A organização do protesto distribuiu máscaras e álcool gel para os participantes da manifestação. Embora tenha havido uma tentativa de reduzir a aglomeração com uma espécie de distribuição de setores separados por faixas de protestos, boa parte dos presentes acabou se reunindo em frente ao carro de som do evento.

Recife

Palco de tumultos em que dois homens foram atingidos por disparos de balas de borracha da Polícia Militar no ato do último dia 29, Recife teve protestos mais tranquilos neste sábado (19). Não há estimativas oficiais, mas o ato reuniu número menor de participantes, embora com a participação de diversos movimentos sociais e estudantis. A chuva na capital pernambucana atrapalhou o ato, e policiais, também em menor número, se mantiveram à distância, ao contrário do que ocorreu em maio.

Políticos como a deputada federal Marília Arraes (PT), que concorreu à prefeitura do Recife nas eleições de 2020, também participaram do protesto. Sem o decreto estadual que determinava o funcionamento exclusivo de serviços essenciais no fim do mês passado, o ato contou com carros de som e seguiu o mesmo trajeto da Praça do Derby, no bairro Derby, em direção à Ponte Duarte Coelho, no centro do Recife.

São Luís

Em maior número que no protesto de 29 de maio, manifestantes se reuniram na região central de São Luís, no Maranhão, na manhã deste sábado, em protesto contra o presidente da República. Com faixas e cartazes com frase “Fora Bolsonaro, presidente genocida”, manifestantes pediram a renúncia de Bolsonaro e teceram críticas ao seu governo, pedindo celeridade nas medidas de prevenção contra a Covid-19.

“O país está passando por um momento difícil e o desemprego aumentando. Somos contra as reformas que esse governo está implantando no Brasil e a favor de uma política mais séria em relação à vacinação contra a Covid-19. E, hoje, estamos nas ruas também para reivindicar ao presidente que retorne com o auxílio emergencial de R$ 600”, afirmou o servidor federal Raimundo Pereira.

Entidades e partidos políticos como UNE, Ubes, CUT, UJS, CTB, PSTU, PCO, Psol, PT e Sinproesemma também participaram do ato, que teve fim na praça Maria Aragão.

Goiânia

Milhares de pessoas participaram do protesto contra o presidente Bolsonaro no Setor Central de Goiânia neste sábado. A concentração para o ato começou às 9h na Praça Cívica, onde fica o centro administrativo do governo estadual. Os manifestantes saíram em caminhada pela Avenida Araguaia, Rua 4 e Avenida Goiás. O protesto foi encerrado por volta das 12h na Praça do Trabalhador, em frente à antiga Estação Ferroviária. O trajeto percorrido foi de cerca de 2 quilômetros. Os manifestantes usavam máscaras, mas não havia distanciamento.

A manifestação foi organizada por mais de 100 entidades e contou com o apoio de três carros de som. Durante o percurso, foram exibidos cartazes e palavras de ordem contra a condução da pandemia por Bolsonaro. Em menor quantidade, também houve repúdio à alta de preços de alimentos e combustível.

Entre as palavras de ordem, os manifestantes entoaram “Fora Bolsonaro Genocida” e “Vacina no braço e comida no prato”. Dois manifestantes vestiam fantasias da morte com faixa presidencial. Outro grupo levou um boneco de terno e faixa presidencial, pendurado pelas pernas. A organização da manifestação estima a presença de 10 mil pessoas no ato. A Polícia Militar de Goiás não fez a contagem e acompanhou o ato com viaturas e cavalaria. O protesto foi pacífico, de acordo com a PM.

Caráter partidário

O atos de rua contra o presidente Jair Bolsonaro ganharam caráter mais partidário e pró-Lula em relação às manifestações que ocorreram em maio. Esse movimento ficou explícito após o PT aderir oficialmente aos protestos de rua – no qual prometeu se juntar aos movimentos sociais “no apoio e participação” – e na possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ir ao evento em São Paulo.

Em publicação nas redes sociais, Lula cogitou ir ao protesto. “Eu ainda não sei se vou na manifestação. Tenho uma preocupação. Não quero transformar um ato político em um ato eleitoral. Não quero os meios de comunicação explorando isso como o Lula se apropriando de uma manifestação convocada pela sociedade brasileira”, escreveu o ex-presidente.

Outros partidos de esquerda apoiam os atos, entre eles PSOL e PCdoB. A manifestação de hoje acontece ainda em meio à pandemia de covid-19 e no momento em que o país se aproxima das 500 mil mortes pela doença. Na manifestação de maio, o receio de gerar aglomerações dividiu a oposição, ainda que os organizadores recomendassem o uso de máscara e álcool em gel.

A possibilidade de o petista ir à manifestação gerou reações dos demais líderes do movimento. Os atos foram convocados pela Frente Brasil Popular, Povo Sem Medo, Coalizão Negra por Direitos e por seis centrais sindicais. Segundo os organizadores estão confirmados atos em mais de 400 cidades dos 27 estados.

“Nós não vamos bloqueá-lo, mas a presença do Lula não pegaria bem”, disse o sindicalista Antonio Neto, presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e presidente do PDT paulistano. Aliado de Ciro Gomes, que é pré-candidato do PDT à Presidência, ele afirmou que seu partido não aderiu institucionalmente aos atos, mas liberou a militância a participar. Ciro não estará presente.

“Acho que a decisão mais correta seria o Lula não ir. A ida do ex-presidente causaria uma aglomeração inevitável. Seria ruim. Ele contribuiria mais não indo”, disse ao Estadão o líder da Central de Movimentos Populares, Raimundo Bonfim, que faz parte do comitê dos atos.

Procurada, a assessoria do ex-presidente Lula deixou em aberto se ele iria ou não ao evento na Avenida Paulista, o que deixou os organizadores apreensivos. Se o petista decidir ir de última hora, isso causaria dificuldades logística para os organizadores já que não foi programado nenhum esquema especial de segurança para recebê-lo. Ou seja: haveria aglomeração e risco de segurança.

Custo

As manifestações de hoje contra o presidente Jair Bolsonaro custarão R$ 381 mil aos cofres públicos paulistas. Os recursos serão gastos na mobilização de um esquema de segurança, segundo apurou a reportagem. Somente no maior ato, na avenida Paulista, em São Paulo, a Polícia Militar (PM) vai mobilizar cerca de 400 policiais, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado. Foram escalados policiais do batalhão territorial e de unidades especializadas, com aproximadamente 120 viaturas, duas aeronaves e seis drones. Outras unidades da PM permanecerão de prontidão e se necessário, serão deslocadas para prestar apoio. A Secretaria informou que a PM também estará mobilizada para garantir a segurança em manifestações em outras regiões do Estado.

A decisão do PT de intensificar a convocação para os atos contra Bolsonaro e a possibilidade de Lula estar presente geraram reações de outros setores que também fazem oposição ao presidente. O Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua, grupos que pediram o impeachment de Dilma Rousseff e agora fazem estão contra o governo federal, optaram por não participar.

Os líderes dos partidos do centro que tentam se unir em uma frente contra Bolsonaro e a polarização também foram contra. O PSDB rechaçou a adesão do PT às convocações. “É o PT aceitando a briga de rua do bolsonarismo e promovendo aglomeração em momento inoportuno em razão da pandemia”, afirmou o deputado Paulo Abi Ackel (MG), vice líder do PSDB na Câmara.

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